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As
organizações não governamentais também
são conhecidas como organizações sem
fins lucrativos ou uma referência ao chamado terceiro
setor.
As ONGs surgiram principalmente pela pouca capacidade do
governo de executar tarefas sociais. Em países em
desenvolvimento, as ONGS estão presentes fortemente
em todos os grandes problemas do mundo e do país.
Elas têm diversas atividades como o patrocínio
de reformas culturais, combate à destruição
do meio ambiente, desenvolvimento rural e reforma agrária,
combate à fome, assistência médica preventiva
e planejamento familiar, programas educacionais para a primeira
infância e campanhas de alfabetização,
desenvolvimento econômico, moradia e direitos políticos,
entre outros. Constata-se, então, que estes fins
são públicos, mas a participação
estatal é cada vez mais reduzida e assumida pela
ação civil na área social e na iniciativa
privada; na verdade, não se espera soluções
do governo, antecipa-se a elas.
Um desafio para as instituições sem fins lucrativos
é o de criar identidade e objetivos comuns, dar às
pessoas um senso de comunidade, de objetivo, de direção.
Quando falamos em gerência de ONGs, vemos que elas
têm alguma similaridade com gerência de qualquer
outra empresa. Entretanto, devemos estar atentos principalmente
às diferenças existentes: às suas necessidades
específicas, à sua missão, os resultados,
às estratégias usadas para a comercialização
de seus produtos, a necessidade de receber doações
e do trabalho voluntário e o profundo envolvimento
do conselho diretor.
Percebe-se, ainda, que, como as instituições
sem fins lucrativos não têm um lucro ou produto
convencional, elas precisam ter uma boa gerência para
que possam concentrar-se em sua missão (e aqui o
papel do profissional de recursos humanos é fundamental,
já que ele pode trabalhar a respeito dessa missão,
liderança e gerência das ONGs).
Segundo DRUCKER (1997), a missão comum de todas as
instituições sem fins lucrativos é
a de “satisfazer nossa necessidade de auto-realização,
de viver de acordo com nossos ideais, nossas crenças,
nossa melhor opinião sobre nós mesmos”
(p. XVI). Ou seja, exercitar nossa solidariedade e nossa
cidadania.
Uma das principais tarefas do gerente de ONG é a
de operacionalizar a missão. Caso contrário,
ela não passará de “boa intenção”.
Além disso, o gerente deve assegurar que todos vejam,
ouçam e vivam a missão. Outras tarefas fundamentais
do gerente são:
- prever
a crise, antecipar-se a ela, renovando a organização
constantemente;
-
manter o impulso, a flexibilidade, a vitalidade da ONG
depois de passar a fase do crescimento e começar
o da estabilidade. É primordial que a mudança
seja vista como uma oportunidade e não como uma
ameaça;
-
determinar tarefas e estabelecer padrões de desempenho;
-
fornecer treinamento e programas de desenvolvimento de
pessoal a funcionários e voluntários;
-
alocar recursos;
-
é responsável pelos resultados.
O gerente ou líder de ONG também tem que tomar
uma série de decisões de equilíbrio:
-
Longo ou curto prazos;
-
Quadro geral ou pequenos detalhes;
-
Concentração de recursos em uma meta ou
uma diversificação;
-
Demasiado cauteloso ou demasiado ousado;
-
Oportunidade ou risco.
O Conselho diretor, por sua vez, tem a função
de fiscalizador e arrecadador de fundos.
Agora que está definido o papel do gerente e do conselho
diretor, vamos ver o papel de outros importantes sujeitos
nestas organizações: os voluntários.
O recrutamento de voluntários deve ser feito por
pessoas da comunidade que realmente acreditam na missão
da ONG, que conheçam as pessoas e conversem pessoalmente
com os voluntários em potencial. A pessoa que se
candidata a um trabalho voluntário não o faz
por necessidade, mas por opção. Mesmo assim,
também seu desempenho deve ser avaliado.
Os voluntários, apesar de não serem remunerados,
devem ter competência naquilo que estão fazendo,
precisam passar por constante treinamento. Nesta questão,
o gerente tem um papel importante, entretanto, hoje em dia,
cada pessoa é responsável pelo seu próprio
desenvolvimento (isto vale tanto para funcionários
como para voluntários).
Em muitas instituições sem fins lucrativos,
a única diferença entre funcionário
e voluntário é que este não recebe
salário, apesar de suas tarefas serem idênticas.
Em razão disso, foi sancionada a Lei do Voluntariado,
de autoria do deputado Paulo Bornhausen (PFL/SC) que diz:
“Serviço voluntário é uma atividade
não remunerada, prestada por pessoa física
a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição
privada de fins não-lucrativos, que tenha objetivos
cívicos, culturais, educacionais, científicos,
recreativos ou de assistência social”. Fica
claro, então, que “o serviço voluntário
não gera vínculo empregatício nem obrigação
de natureza trabalhista, previdenciária ou afim”.
O número de voluntários em muitas ONGs determina
o público que pode ser atendido. Os voluntários
não devem ser tratados como voluntários, mas
como membros não remunerados da organização.
Sua satisfação na realização
do trabalho é com o próprio trabalho, com
o reconhecimento pelo trabalho prestado, pela oportunidade
de atingir o potencial pessoal e de envolver-se com algo
que tenha significado, enfim, pela auto-realização
de fazer parte de um trabalho social, com tudo que o caracteriza.
Neste sentido, a instituição tem a responsabilidade
de perpetuar essa vontade de trabalhar, de não deixar
transformar o “trabalho” em “emprego”.
Os voluntários, em instituições eficazes,
são treinados para que eles as representem na comunidade,
assim como são porta-vozes de questões que
a comunidade tem a respeito da instituição.
Muitas vezes, trabalhar como voluntário lhe dá
“status”, assim como aumenta sobremaneira seu
círculo social.
Para haver satisfação, é importante
que as pessoas recebam “feedback” do seu trabalho.
Essa avaliação é facilitada se os padrões
e as metas estiverem claramente delimitados e, obviamente,
isto é de responsabilidade do superior. Também
é importante que os voluntários recebam responsabilidades
e autonomia. Além disso, é fundamental que
os planos e metas sejam ambiciosas (ambiciosas e não
inatingíveis!). Portanto as pessoas que trabalham
em ONGs (voluntários ou não) devem apresentar
desempenho relevante, até para que possam ser exigidas.
RIFKIN (1995) defende a idéia de que é através
das organizações não lucrativas que
a humanidade poderá ter um maior número de
empregos, visto que cada vez mais a tecnologia está
substituindo o homem, este não é mais necessário
para produzir bens e serviços, e é inegável
que os empregos estão cada vez mais diminuindo; o
operário deixa de ter a sua função
social. Ele sugere o chamado “salário indireto”:
o governo poderia incentivar a maior participação
no terceiro setor através da dedução
de imposto por hora de trabalho voluntário dado a
organizações legalmente isentas de impostos.
Com isso, o governo perderia em impostos, de um lado, e
ganharia de outro, visto que não investiria mais
em programas governamentais sociais. Se o plano social melhorar,
a qualidade de vida das pessoas também melhorará
e com isso aumentará a arrecadação
de impostos.
É
notória a importância do Terceiro Setor nos
dias de hoje. É, sem dúvida, um dos setores
que mais está empregando (independente do salário
indireto), e o trabalho voluntário é visto
por muitas organizações como um “plus”
para aquele candidato que procura uma vaga em uma empresa
que tem preocupação com a responsabilidade
social.
Como diz DRUCKER (1997), a instituição sem
fins lucrativos tem como principal produto um ser humano
mudado.
BIBLIOGRAFIA:
CAMARGO,
Mariângela Franco de; SUZUKI, Fabiana Mayumi; UEDA,
Mery; SAKIMA, Ricardo Yuzo; GHOBRIL, Alexandre Nabil. Gestão
do terceiro setor no Brasil. 2. ed. São
Paulo: Futura, 2002.
DRUCKER, Peter F. Administração de
Organizações sem fins lucrativos.
4. ed. São Paulo: Pioneira. 1997.
RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos. Makron
Books, 1995.
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